Páginas

quinta-feira, 10 de setembro de 2026

Estremoz - Postal Antigo


 

Vila Viçosa - Igreja e Convento dos Agostinhos e Estátua Equestre de D. João IV

 


Montemor-o-Novo - Vista Geral


 

Vila Viçosa - Igreja de São Bartolomeu e busto do pintor Henrique Pousão


 

Vila Viçosa - Pórtico da Igreja de Nossa Senhora da Lapa


 

Vila Viçosa - Paço Ducal


 

Estremoz - Vista Geral


 

Borba - Vista Parcial


 

Montemor-o-Novo - Monumento a São João de Deus


 

Redondo - Convento de São Paulo


 

Arraiolos - Entrada da Vila


 

Mora - Hospital da Misericórdia


 

Vila Viçosa - Paço Ducal


 

Vendas Novas - Entrada do Polígono da Escola Prática de Artilharia


 

Montemor-o-Novo - Ruinas do Convento de São Domingos

 


quinta-feira, 27 de agosto de 2026

Lendas de Évora


O Alentejo tem cromeleques, o Alentejo tem antas, o Alentejo tem menires, o Alentejo tem o vaso campaniforme. A cada dia que passa são encontrados mais vestígios de povoados remotos. Tem, até, grutas habitadas há mais de 50 mil anos... O Alentejo é muito antigo.

O Dilúvio é muito mais moderno; no entanto as suas águas nunca o alagaram. Mas, as lendas mais antigas a que podemos aceder falam-nos da chegada de sobreviventes desse cataclismo. A Bíblia data o Dilúvio de cerca de 5000 a. C., mas a ciência coloca a hipótese de ele corresponder ao final da última glaciação, cerca de 16 000 a. C.

Na divisão territorial pós-diluviana, calhou a Túbal — filho de Jápeto e neto de Noé — vir navegando pelo Mediterrâneo até ao Atlântico, com as suas gentes, os Tubales, como lhes chamaram, com a finalidade de repovoar esta parte da Terra. Hoje é sabido que a faixa costeira da Península Ibérica nunca deixou de ser habitada desde as mais primitivas espécies humanas, mas lenda é lenda. Assim, Túbal desembarcou num local aprazível, na foz de um grade rio, dando origem à primeira povoação peninsular depois do Dilúvio: Cet Túbal, «acampamento de Túbal», isto é, Setúbal.

Esses Tubales, internaram-se no Alentejo, e passaram a ser conhecidos como Galos, que, ao que parece, na linguagem da época significava «os alagados» ou «salvos das águas». Em breve, segundo alguns, toda a região tomou o nome de Gália, embora outros a designem por Tubália. Mais tarde, houve quem lhes chamasse Túrdulos Antigos e os venerasse como sábios. Deles se dizia que possuíam riquíssima literatura, história e direito, em verso. A sua forma escrita terá resistido até ao advento dos Romanos, que tudo destruíram.

Mas a lenda pós-diluviana não fica por aqui: um primo, um irmão ou um familiar de Túbal, chamado Elbur, nessa ida pelo Alentejo adiante, terá fundado a cidade de Évora.

Ora, Elbur era hermafrodita. Assim, como homem casou e teve uma filha, à qual chamou Évora. Morrendo-lhe a mulher, tomou ele a forma feminina e, chamando-se então Elbura, voltou a casar. Ao dar à luz um filho, que nomeou Evorinho, morreu.

Évora e Evorinho cresceram na torre que Elbur/Elbura construíra, e que ainda lá está. Começaram a governar a cidade em conjunto, mas cada uma das facções que apoiava um e o outro desejava o poder exclusivo. Assim, os dois irmãos acabaram por se zangar e separar. Ora, um dia, Evorinho propôs a paz à irmã, aconselhado pelos seus sectários que o induziram a uma traição. Montou-se um grande banquete para celebrar as pazes, na torre de Elbur/Elbura, banquete esse em que estavam presentes todos os habitantes da cidade. A certa altura, Evorinho atraiu a irmã ao alto da torre, a pretexto de recordar os pais, mas com a finalidade de a matar, empurrando-a cá para baixo. Évora, apercebendo-se da intenção do irmão, no momento em que ele ia empurrá-la, resistiu, lutou e... acabaram por cair, morrendo agarrados um ao outro. São as suas cabeças que as armas da cidade perpetuam.

Esta lenda da fundação de Évora é singular no conjunto lendário português, por ser a única história até agora encontrada com um ser hermafrodita. É provável que este fundo lendário demonstre a junção de dois povos diferentes na região de Évora.

Mas, as antiquíssimas lendas de fundação, referentes ao Alentejo, não se ficam por aqui. Muitas são as histórias que referem a saída de gente desta região, para fundar cidades e nações. Uma delas, a da mulher, Roma, que fundou a cidade do mesmo nome; outra, a de Tera, filha do rei da Grande Planície, que foi fundar Tara, na Irlanda.

Mais moderna, e vinda directamente de Inglaterra, chega-nos a história da fundação de York. Conta a lenda que, quando os Romanos aqui chegaram, uma parte da população de Évora recusou-se a aceitar o jugo do intruso. Assim, meteu pés ao caminho e, depois de muito andar, instalou-se numa zona do Sul de Inglaterra, fundando uma localidade à qual deu o nome da sua pátria longínqua: Eboracum. Com o tempo, a palavra foi evoluindo e transformou-se na actual York, passando a designar também toda a região envolvente. Chamava-se Ebraucus o primeiro rei de York. Acrescenta a lenda que construiu um templo a Diana, onde foi sepultado.

Este nome de Diana é, como se sabe, o que foi dado pelos Romanos à velha deusa-mãe peninsular, Ana, que acaba por passar à história, ironicamente, com a designação que lhe foi dada pelos Invasores.

Estas são as lendas!

terça-feira, 25 de agosto de 2026

Castelo Velho e Pedra do Charro (Terena)


No sopé da vertente Norte abre-se uma pequena galeria irregular, artificialmente afeiçoada, conhecida como a Casa da Moura; pode tratar-se quer de uma sondagem de mineração quer de um espaço ritual, com paralelos nos ‘santuários’ etnográficos frequentes na região, cuja caraterística comum é a existência de uma cavidade na rocha e que a tradição popular atribui sistematicamente às mouras encantadas. (…) Numa pequena elevação coroada por uma formação rochosa de forma vagamente antropomórfica, junto da presumível entrada principal do povoado, regista-se a presença de cerâmicas, escórias de fundição e restos de estruturas. A tradição popular considera este local, denominado ‘Pedra do Charro’, a sepultura de um bandoleiro solitário, o Charro, enterrado com todas as suas riquezas. De fato, pode tratar-se de uma área de habitat marginal, nomeadamente o local das atividades metalúrgicas, numa determinada época do povoado. Pode tratar-se também de uma necrópole relacionada com o povoado, o que daria algum fundamento à tradição local.

(In Calado, Manuel, Carta Arqueológica do Concelho de Alandroal, 1993)

domingo, 23 de agosto de 2026

Nossa Senhora da Boa Nova (Terena)

Duas lendas se contam a propósito da capela de Nossa Senhora da Boa Nova. A primeira reza assim: Os mouros estavam prestes a invadir Castela e uma batalha estava iminente. D. Afonso XI, sogro de Afonso III de Castela, foi visitado em Évora (onde estavam as Cortes) pela filha D. Maria para lhe pedir auxílio. O pai disse-lhe que não ajudaria o genro. No caminho de regresso, a rainha dormiu em Terena. Entretanto, o pai mudou de ideias e mandou dois vassalos informar a filha. Dormiram na vila do Redondo, levantaram-se mais cedo e foram apanhar D. Maria onde agora está a cruz, quando o sol estava a nascer. Ao saber da boa nova, ali se ajoelhou e declarou que mandaria construir no local uma capela em nome de Nossa Senhora da Boa Nova. À ribeira deu-lhe o nome de Lucefécit porque na altura a luz se fez, ou seja, ao romper da manhã. Já na segunda, dizia-se existir uma prisão junto ao mar, onde estava um prisioneiro com algemas nos pés e mãos. Declarava-se inocente,  mas ninguém acreditava. Certo dia o carcereiro foi-lhe levar a comida e reparou que as algemas tinham desaparecido; o prisioneiro afirmou não saber o que tinha acontecido. Passou algum tempo e as algemas desapareciam constantemente, até que um dia o prisioneiro disse que as algemas estavam em Terena, na Igreja de Nossa Senhora da Boa Nova. Quando os guardas se deslocaram à igreja encontraram as algemas, então foram obrigados a soltar o prisioneiro.