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segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Personalidades Alentejanas - RIBEIRO, José Silvestre

(n. Idanha-a-Nova em 1807; m. Lisboa em 1891)

Filho de António Nunes Ribeiro e de Josefa Pereira da Silva. Fez os estudos preparatórios na sua vila natal, tendo-se matriculado no 1.º ano do curso de Filosofia da Universidade de Coimbra a 14 de Outubro de 1823 e, no ano seguinte, matriculou-se no 1.º ano jurídico na mesma Universidade.

As suas convicções liberais levaram a que se destacasse no contexto académico, ficando como memorável o debate que sustentou com João Baptista Teixeira de Sousa, então estudante de Direito, numa aula do lente Faustino Simões Ferreira, em defesa do regime liberal. Num percurso típico da sua geração, José Silvestre Ribeiro incorporou-se no Batalhão Académico que se formou em defesa do liberalismo, sendo obrigado, pelas vicissitudes que se seguiram à Vilafrancada a abandonar a Universidade de Coimbra e a procurar o exílio. Falhada a Belfastada, integrou o exército dos vencidos e refugiou-se na Galiza, de onde partiu para Paris.

Em Paris procurou retomar a sua formação académica, assistindo a aulas na Universidade e estudando com François Guizot. Esta passagem por Paris, apesar de curta, teria repercussões no pensamento de Silvestre Ribeiro. Aqui ganhou uma visão europeísta de Portugal, que o levou a ser crítico em relação a muitas das opções africanistas e pró-coloniais da intelectualidade e dos políticos portugueses seus contemporâneos.

De Paris partiu para Plymouth, onde se incorpora nas forças do partido liberal que partiram para Belle-Île e daí para a ilha Terceira. Durante a sua estadia em Belle-Île destaca-se como um dos organizadores da expedição, integrando-se no Batalhão dos Voluntários Académicos comandado por João Pedro Soares Luna. Na Terceira, face às dissidências que já afligiam o campo liberal, ficou com o seu batalhão acantonado na vila da Praia, participando activamente nas escaramuças que se travaram contra as guerrilhas absolutistas que ainda subsistiam na ilha. Após a chegada aos Açores de D. Pedro IV, partiu para Ponta Delgada, onde foi incorporado na expedição naval, comandada pelo almirante George Rose Sartorius, dos famosos 7500 bravos que daquela cidade partiram a 8 de Julho de 1832 e que protagonizaram o desembarque do Mindelo. Na fase final das lutas liberais, integrou a expedição comandada por António José de Sousa Manuel de Meneses Severim de Noronha, depois 1.º duque da Terceira, que partiu do Porto e desembarcou em Cacela, no Algarve. Acompanhou essas tropas no seu percurso até Lisboa, estando entre as primeiras forças liberais que entraram na capital portuguesa a 24 de Julho de 1833.

Assinada a Convenção de Évora-Monte que pôs termo à guerra civil, retomou os estudos, sendo despachado bacharel em Cânones a 13 de Outubro de 1834, beneficiando das dispensas que se concederam aos ex-combatentes liberais. Estando entre os vencedores da guerra e beneficiando das fortes ligações políticas que tinha cimentado no Batalhão Académico, logo a 7 de Junho de 1834 foi nomeado prefeito da Província da Beira Baixa, a qual integrava o seu concelho natal. Permaneceu neste cargo até à extinção das prefeituras, passando então a exercer o cargo de secretário-geral do Governo Civil de Castelo Branco, onde se manteve até 1837.

Sobre a sua acção na prefeitura publicou em Lisboa, ainda em 1834, um opúsculo intitulado Defesa do prefeito da Beira Baixa. Naquele ano foi nomeado administrador-geral interino do Distrito de Portalegre (cargo que anos depois seria redenominado governador civil). Exerceu essas funções até 1839, ano em que resolveu aceitar a nomeação para administrador-geral do Distrito de Angra do Heroísmo, regressando assim à ilha Terceira.

Exerceu as funções de governador civil do Distrito de Beja de 13 de Novembro de 1844 a 27 de Maio de 1846, data em que foi nomeado governador civil de Faro. Durante o seu mandato em Beja teve importante acção na área da beneficência, elaborando um interessante estudo sobre a situação do distrito, incluindo o levantamento das suas primeiras estatísticas, que publicaria já quando governador civil do Funchal. Não chegou a exercer funções em Faro, já que foi exonerado apenas um mês depois de ser nomeado, a 27 de Junho de 1846, passando nessa altura a secretariar António José de Ávila, o futuro 1.º duque de Ávila e Bolama.

José Silvestre Ribeiro chegou ao Funchal a 12 de Setembro de 1846 com as funções de ajudante e secretário de António José de Ávila, então nomeado delegado régio para na ilha da Madeira sindicar as graves desordens que se haviam gerado em resultado do abandono do catolicismo por um numeroso grupo de madeirenses liderados pelo médico escocês e missionário calvinista Robert Reid Kalley. Nessas circunstâncias, a 5 de Setembro de 1846, foi nomeado governador civil do Distrito do Funchal, cargo do qual tomou posse a 7 de Julho de 1846 e no qual teve de imediato de enfrentar os problemas resultantes da intolerância religiosa que levou largas centenas de madeirenses a abandonar a ilha para se irem instalar nas Caraíbas e no estado norte-americano de Illinois, em especial na cidade de Jacksonville.

Na Madeira dedicou grande atenção às questões sociais e de fomento económico, tendo fundado algumas instituições de beneficência e de socorro social. Também a instrução pública lhe mereceu particular cuidado, pois fundou escolas e promoveu a inspecção das existentes, já que a sua eficácia parecia nula. As questões da acessibilidade interna, muito dificultadas pelo relevo escarpado da ilha, também foram por ele consideradas. Teve em especial atenção a construção de pontes e de locais onde fosse possível o descanso dos viajantes obrigados a trepar as grandes ladeiras existentes na ilha. Um desses abrigos é actualmente considerado monumento: a Casa de Abrigo do Poiso. Também a ponte do Ribeiro Seco e a Estrada Monumental, iniciativas do prefeito Luís da Silva Mouzinho de Albuquerque, foram por ele concluídas. A nível do fomento económico, deveu-se a José Silvestre Ribeiro a primeira acção de promoção do bordado da Madeira.

A primeira eleição de José Silvestre Ribeiro como deputado às Cortes ocorreu nas eleições gerais realizadas em Agosto de 1845, sendo eleito pelo círculo de Angra do Heroísmo. Prestou juramento a 26 de Janeiro de 1846, integrando a Comissão de Verificação de Poderes. Naquela legislatura, a sexta da Monarquia Constitucional portuguesa, ocorreu apenas uma sessão legislativa (de Janeiro a Maio), já que os acontecimentos da Revolução da Maria da Fonte, a Emboscada e o desencadear da guerra civil da Patuleia, cedo levaram à suspensão da vida parlamentar. Daí que tenha sido fácil a José Silvestre Ribeiro manter as suas funções no governo civil da Madeira.

Terminada a guerra civil com a assinatura da Convenção de Gramido, volta a ser candidato nas primeiras eleições posteriores à pacificação do país, realizadas em Novembro de 1847. Desta vez foi eleito pelo círculo do Funchal, prestando juramento a 4 de Janeiro de 1849. Veio a destacar-se a sua participação na Comissão Especial encarregada de examinar o projecto de lei do Código Florestal e da reforma da Administração Pública. Na sétima legislatura da Monarquia Constitucional, com sessões de 1 de Janeiro de 1848 a 25 de Maio de 1851, foi um parlamentar activo e assíduo, mantendo o seu estilo de intervenção pertinaz e frequente em matérias de interesse local do seu círculo eleitoral.

Voltou a ser eleito pela Madeira nas eleições gerais de 12 de Dezembro de 1852, prestando juramento a 27 de Abril de 1853. A 2 de Outubro de 1856 o rei fê-lo membro extraordinário do Conselho de Estado. Ao todo proferiu mais de 200 intervenções nesta legislatura, sendo considerado essencialmente pró-governamental, embora tenha recusado uma nomeação para a Comissão Diplomática argumentando ser da oposição.

Estando o Partido Histórico no poder, foi chamado a integrar o ministério presidido por Nuno José Severo de Mendonça Rolim de Moura Barreto, o 1.º duque de Loulé, assumindo o Ministério dos Negócios Eclesiásticos e da Justiça a 7 de Dezembro de 1857. Contudo, a sua experiência governamental pouco durou, pois foi exonerado, a seu pedido, a 31 de Março de 1858. Mesmo assim, em consequência da iniciativa de José Silvestre Ribeiro de constituir uma comissão encarregada das reformas do Código Penal e do Processo Penal, foi constituída uma comissão e foram publicados múltiplos artigos com as opiniões de diversos peritos e corporações sobre as propostas de reforma que iam sendo apresentadas.

Nas eleições gerais de 2 de Maio de 1858 foi eleito pelo círculo de Angra do Heroísmo, constituindo esta a sua última eleição parlamentar. Prestou juramento a 22 de Novembro de 1858. Por esta altura manifestava-se abertamente contra a menorização do espírito de localidade, afirmando que o facto de ser deputado da Nação não deveria impedir a atenção aos interesses de círculo, mesmo que pudesse ser considerado um interesse de campanário. Interessou-se sobremaneira pelas questões da educação e pela defesa da liberdade e transparência eleitorais e pelo fim do arbítrio nas operações de recrutamento militar. Foi um dos subscritores da proposta de lei que visava a libertação de todos os escravos que entrassem nos portos de Portugal e das Ilhas Adjacentes.

Fez parte da comissão encarregue de apresentar as bases para a reforma do Código Administrativo, que funcionou de 1862 a 1864, e de múltiplas outras instituições e comissões públicas. Foi elevado ao pariato por carta régia de 29 de Dezembro de 1881, tomando assento na Câmara dos Pares a 30 de Janeiro de 1881. Por esta altura já a sua capacidade e interesse na participação parlamentar estavam reduzidos, tendo sido escassa a sua intervenção nos debates.

Manteve ao longo de toda a sua vida uma intensa actividade cívica, intervindo na fundação de múltiplas associações. Foi, entre outras instituições, fundador da Sociedade Protectora dos Animais, e seu primeiro presidente da assembleia geral, e do Montepio Geral, a cuja assembleia geral também presidiu. Foi membro da Associação dos Arquitectos Civis e Arqueólogos Portugueses, cuja revista editou, e sócio honorário da Sociedade Promotora da Agricultura Micaelense.

Interessou-se pelos estudos literários, sendo um estudioso de Luís de Camões, Dante Alighieri, Luisa Sigea de Velasco e Calderón de la Barca, entre outros clássicos. Neste contexto dedicou-se a assuntos de linguística e de história da literatura, com especial foco na literatura portuguesa, assunto que foi objecto de uma notável obra sua, e na diferenciação entre a língua portuguesa falada em Portugal e no Brasil. No âmbito da história da cultura, publicou a obra História dos estabelecimentos científicos, literários e artísticos de Portugal nos sucessivos reinados da monarquia, em 18 volumes. A este veio-se juntar um 19.º volume, constituído pelos Apontamentos históricos sobre bibliotecas portuguesas, deixado inédito pelo autor e apenas publicado em 1914, organizado e antiloquiado por Álvaro Neves.

Este labor intelectual valeu-lhe a eleição para membro da Academia Real das Ciências de Lisboa. Foi colaborador assíduo de diversos jornais e revistas, entre os quais a Chronica Constitucional do Porto, O Panorama, Jornal do Comercio, A Revolução de Setembro, O Archivo Pittoresco, Encyclopedia Popular, Diario de Notícias, O Conimbricense e muitos outros.

 Wikipédia, a enciclopédia livre. José Silvestre Ribeiro. [Online] URL: http://pt.wikipedia.org/wiki/Jos%C3%A9_Silvestre_Ribeiro. Acedido a 5 de Novembro de 2007.

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Lenda da igreja de São Sebastião - Carreiras

Segundo a lenda, junto à porta principal d[a] igreja de São Sebastião das Carreiras, estão enterrados, lado a lado, dois potes: um cheio de ouro, outro cheio de veneno. Segundo o povo, quem, ao tentar desenterrá-los, encontrar primeiro o que contém o dinheiro em ouro, ficará rico, caso contrário morrerá imediatamente.

Versão de Carreiras (Portalegre), recolhida e publicada por Ruy Ventura (1993) – “Notas Histórico-Etnográficas sobre a Freguesia das Carreiras – A igreja paroquial”, in O Distrito de Portalegre, de 1 a 22 de Janeiro.

domingo, 5 de janeiro de 2014

Gastronomia Tradicional Alentejana - Túberas de Fricassé

Ingredientes
Para 4 pessoas
1 kg de túberas
1 cebola
2 colheres de sopa de azeite
1 colher de sopa de banha
1 folha de louro
4 gemas
1 limão
1 ramo de salsa
sal

Confecção
Põem-se túberas de molho e esfregam-se com uma escovinha.
Lavam-se muito bem, descascam-se e cortam-se em rodelas grossas.
Faz-se um refogado com a cebola picada, o azeite, a banha e o louro.
Juntam-se as túberas, temperam-se com sal e deixam-se apurar.
Isto leva um certo tempo, pois as túberas largam muita água.
à parte misturam-se as gemas com o sumo de limão e salsa picada.
Retiram-se as túberas do lume, adicionam-se as gemas com o limão e leva-se novamente a lume brando, deixando cozer cuidadosamente para evitar que os ovos talhem.

Receita retirada de Receitas e Menus

sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

Personalidades Alentejanas - RIBEIRO, Bernardim

(n. Torrão em 1482?; m. 1552?)

Escritor português. Algumas referências na sua obra, que se supõe serem autobiográficas, levam a pensar que seria natural do Torrão (Alcácer do Sal) e certas conjecturas feitas a propósito da segunda edição de Menina e Moça apontam para que tenha morrido antes de 1557.

Frequentou a corte, onde foi poeta conhecido, e colaborou no Cancioneiro Geral (1516) de Garcia de Resende. Sá de Miranda fez-lhe várias referências nas suas obras como grande amigo e companheiro de letras e afirmou que, com as suas éclogas, Bernardim Ribeiro foi o introdutor do bucolismo em Portugal.

A sua obra mais célebre é a Menina e Moça, da qual há três versões. A primeira foi editada em 1554, em Ferrara, pelo exilado judeu português Abraão Usque. Este facto apoia a tese de alguns ensaístas, nomeadamente Hélder de Macedo (Do Significado Oculto da Menina e Moça), acerca do judaísmo de Bernardim Ribeiro. Isto daria à obra, de estrutura aparentemente inconclusa, um significado cifrado que constituiria a representação esotérica da comunidade judaica no exílio. Tal tese surge apoiada ainda em outros factos da vida do autor, como o seu afastamento forçado da corte, talvez mesmo de Portugal, já que a publicação das suas obras teve lugar em cidades estrangeiras, onde havia comunidades de judeus emigrados. Posteriormente segui-se a edição eborense de 1557, por André de Burgos, e a terceira, de 1559, impressa por Arnold Birckman em Colónia.

Menina e Moça é uma novela sentimental, com influência de Boccaccio, de temática amorosa e cavaleiresca com fundo bucólico e autobiográfico (como o sugerem os inúmeros anagramas, quer do nome do autor, Binmarder, quer de pessoas das suas relações, como Aónia ou Avalor). Nela se encontra presente uma subtil análise psicológica em voz feminina, eco da tradição galego-portuguesa das cantigas de amigo e precursora do romance psicológico moderno. O amor trágico alia-se a um sentimento geral de fatalismo e solidão, numa linguagem que se aproxima sugestivamente do coloquialismo, de extrema riqueza rítmica e lírica. Esta novela, cuja designação desde cedo se popularizou como Saudades, veio influenciar claramente a literatura portuguesa, constituindo um fundo sentimental recuperado e reelaborado posteriormente por vários escritores e, nomeadamente, pelos movimentos romântico e saudosista.

Além da novela Menina e Moça, Bernardim Ribeiro escreveu doze poesias menores incluídas no Cancioneiro Geral e três composições em verso (o vilancete Pera tudo houve remédio, a cantiga Pensando-vos estou, filha e o romance de Avalor), cinco éclogas, a sextina Ontem pôs-se o sol e a noute, o romance Ao longo de ua ribeira e duas cantigas e outras composições que foram incluídas na edição de Ferrara daquela novela, em 1554, a cargo de Abraão Usque. O romance Ao longo de ua ribeira, única composição portuguesa inserida no Cancioneiro Castelhano de 1550 (segundo Carolina Michaelis), só apareceu publicado com as obras completas do poeta na edição de 1645.

Enciclopédia Universal Multimédia On-Line. História da Literatura Portuguesa - Ribeiro, Bernardim. [Online] URL: http://www.universal.pt/scripts/hlp/hlp.exe/artigo?cod=2_99. Acedido a 18 de Novembro de 2007.

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Lenda da Fonte dos Cães - Castelo de Vide

Contava-se que uma noite vindo um rapaz de namorar, resolveu dessedentar-se. 
Quanto o fazia apareceu-lhe um homem que lhe disse:
“Então estás a beber as sobras da minha cozinha?”
Como o moço se mostrasse espantado logo o levou junto de uma placa de pedra por cuja argola puxou.
Apareceu uma escada de mármore por onde desceram e que dava acesso a um maravilhoso palácio.
Após a visita o estranho homem disse:
“Se quiseres ganhar todas estas riquezas só terás de vir amanhã à meia-noite. Há-de aparecer um touro e tu hás-de-lhe aparar três sortes.”
Ao outro dia o rapaz na mira de enriquecer de um momento para o outro ter-se-ia deslocado à fonte à hora combinada, onde viu o touro que investiu nele.
Aguentou a primeira e a segunda investidas, mas cheio de medo desistiu à terceira.
Então ouviu uma voz dizer:
“Ah! Ladrão! Que me dobraste o encanto!...”

Versão de Castelo de Vide, recolhida e publicada por Maria Guadalupe Transmontano Alexandre (1976) – Etnografia, Linguagem e Folclore de Castelo de Vide, Viseu, Junta Distrital de Portalegre.

quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

Gastronomia Tradicional Alentejana - Favas Guisadas

Ingredientes
Para 4 a 6 pessoas
3 kg de favas
150 g de toucinho
200 g de chouriço de carne
1 molhinho de coentros
2 folhas de alho
200 g de pão
sal

Preparação
Escolhem-se as favas bem tenras e lavam-se depois de descascadas.
Corta-se o toucinho ás tirinhas e o chouriço ás rodelas e fritam-se num tacho em lume brando. Retiram-se quando tiverem largado bastante gordura.
A esta gordura junta-se o molhinho de coentros ao qual se ataram as duas folhas de alho. Deixa-se fritar um pouco e juntam-se-lhe então as favas. Tapam-se e deixam-se cozer, agitando o tacho e juntando pinguinhos de água à medida que vai sendo necessário para impedir que as favas agarrem ao fundo do tacho e se queimem.
A meio da cozedura das favas, introduz-se novamente o toucinho e o chouriço e deixa-se apurar bem.
Coloca-se numa travessa ou num prato fundo (prato de meia cozinha) o pão cortado ás fatias sobre as quais se deitam as favas.
Acompanha-se com salada de alface cegada, isto é, cortada em caldo-verde e temperada com coentros e hortelã picados, azeite, vinagre, sal e um pouco de água.

Receita retirada de Receitas e Menus

segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Personalidades Alentejanas - RIBEIRO, Aquilino

(n. Carregal de Tabosa - Sernancelhe - em 1885; m. Lisboa em 1963)

Foi um dos romancistas portugueses mais fecundos da primeira metade do século XX. Frequentou o colégio jesuíta da Lapa e os seminários de Lamego, Viseu e Beja. Em 1906 abandonou o seminário e fixou-se em Lisboa, dedicando-se à defesa da república através de textos conspiratórios. Devido a uma explosão no seu quarto, onde morrem dois carbonários, foge para Paris e só regressa em 1914. Dedicou-se então ao ensino e juntou-se ao grupo da Seara Nova. Entre 1927 e 1928, sofreu algumas perseguições e chegou mesmo a ser preso, conseguindo fugir novamente para Paris. Em 1959, foi-lhe movido um processo censório pelo seu romance Quando os Lobos Uivam.

A sua obra romanesca insere-se numa linha camiliana e destacam-se os seguintes volumes: Andam Faunos pelos Bosques (1926); A Casa Grande de Romarigães (1957); O Malhadinhas e Quando os Lobos Uivam (1958). Estas representam tendências constantes na sua ficção: um regionalismo apegado à terra campesina e às suas gentes, sem perder universalidade nos seus carácteres e descrições; uma ironia terna e complacente perante os vícios humanos comuns; uma crítica violenta da opressão política e do fanatismo ideológico; uma atenção inebriada ao pulsar do torrão campestre, tanto como à vibração sensual do corpo no ser humano.

Centro Virtual Camões. Literatura Portuguesa - Aquilino Ribeiro (1885-1963). [Online] URL: http://www.instituto-camoes.pt/cvc/literatura/AQUILINO.HTM. Acedido a 18 de Outubro de 2007.

Projecto Vercial. Aquilino Ribeiro. [Online] URL: http://alfarrabio.di.uminho.pt/vercial/aquilino.htm. Acedido a 18 de Outubro de 2007.

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Lenda da Fonte do Martinho - Castelo de Vide

Havia uns reis que tinham uma filha que andava a namorar.
Como o pretendente à mão da princesa não era do agrado dos pais, eles resolveram encantá-la no lago do Martinho, o que fizeram de noite.
Simplesmente não viram que a um canto da fonte estava uma mulher agachada.
Como não havia relógios, ela levantou-se para ir lavar, julgando que era mais tarde.
Entre a meia-noite e a uma hora chegaram ao lago três pessoas: pai, mãe e filha.
Depois de ser confiada à princesa uma grande riqueza (deram-lhe dinheiro), foi encantada com a recomendação de oferecer o tesouro a quem a desencantasse.
Ao outro dia, logo a mulher que assistira à cena foi à fonte e bradou pela menina.
Esta acudiu, foi desencantada e disse-lhe:
“A tua riqueza podia ser a dobrar se tivesses esperado mais três ou quatro anos.”

Versão de Castelo de Vide, contada por Maria Francisca, recolhida e publicada por Maria Guadalupe Transmontano Alexandre (1976) – Etnografia, Linguagem e Folclore de Castelo de Vide, Viseu, Junta Distrital de Portalegre: 61 – 62.


domingo, 15 de dezembro de 2013

Gastronomia Tradicional Alentejana - Gaspacho do Baixo Alentejo

Ingredientes
2 ou 3 batatas cozidas e frias
2 dentes de alho
4 ou 5 tomates bem maduros sem pele
1 pepino médio
pão Alentejano (de preferência do dia anterior)
sal, vinagre, azeite q.b.
àgua fresca

Preparação
Pica-se o alho bem miudinho e pisa-se no almofariz juntamente com o sal, transferindo-se depois a pasta para a tijela (grande ) onde se vai fazer o gaspacho.
Picam-se as batatas cozidas e desfazem-se de igual modo.
Pelam-se os tomates e com as mãos desfaz-se parte deles, sendo o restante picados em bocados miudinhos.
Pela-se o pepino e pica-se em quadradinho muito, muito pequeninos.
Junta-se água bem fresca, a gosto (dependendo se gosta do caldo mais ou menos espesso).
Rectifica-se o sal e tempera-se de azeite e vinagre a gosto.
Corta-se o pão em cubinhos e junta-se ao preparado.
Experimente acompanhar o gaspacho com sardinhas assadas, peixe frito, ou ainda uns bocados de chouriço ou presunto Alentejano.

Receita retirada de Receitas e Menus

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Personalidades Alentejanas - RESENDE, Garcia de

(n. Évora em 1470; m. Évora em 1536)

Escritor, desenhador e músico português. De origem nobre, pertencia à mesma família que André de Resende e André Falcão de Resende.

Manteve-se ligado à corte, tendo sido, desde 1490, moço de câmara e secretário particular de D. João II. Homem próximo do rei D. Manuel, foi encarregado por este de várias missões, incluindo a de secretário da embaixada enviada a Leão X, sob a chefia de Tristão da Cunha. Quando voltou, D. Manuel nomeou-o fidalgo da sua casa e escrivão do príncipe D. João, futuro Rei.

Por força da sua doença, viu-se impossibilitado de atender às cortes, e como D. João III o achava indispensável, Garcia de Resende convenceu-o a realizar a cortes em Évora.

Garcia de Resende foi um hábil desenhador e arquitecto. Durante muito tempo pensou-se que teria desenhado uma custódia, que hoje se atribui a Gil Vicente, e elaborou o plano da sua capela tumular no mosteiro do Espinheiro. Desenhou também o plano de uma fortaleza que D. João II pensou construir em frente à torre da Caparica, mas que posteriormente veio a ser a Torre de Belém. Foi também responsável por delinear as festas do casamento do príncipe D. Afonso.

Compilou o célebre Cancioneiro Geral de 1516, também conhecido como Cancioneiro de Garcia de Resende. A obra reúne mais de mil composições em português e castelhano de cerca de 286 poetas palacianos da época. Nesta obra também se encontram reunidas uma série de produções suas, principiadas com a famosa questão «Cuidar e Suspirar», debatida na corte de D. João II em 1483, por causa de D. Leonor da Silva, dama muito requisitada. A maioria das composições poéticas são amorosas e satíricas, correspondendo na sua estrutura formal à redondilha-maior, habitualmente utilizada época. Os poetas contidos no Cancioneiro pertencem ao período desde o começo da segunda metade do séc. XIV até quase ao fim do primeiro quartel do séc. XVI.

Garcia de Resende escreveu outras composições poéticas como as Trovas à Morte de D. Inês de Castro, tema da poesia lírica por ele inaugurado. Grande admirador de D. João II (que acompanhou até à sua morte), escreveu Vida e Feitos de D. João II (1533), para o qual aproveitou grandemente a crónica de Rui de Pina, e que vale, sobretudo, pela vivacidade do retrato do monarca.

Foi ainda autor de uma Miscelânea e Variedade de Histórias (1554), esboço histórico da vida nacional e internacional do seu tempo, escrito em verso. No conjunto, a sua obra escrita é de extrema importância para o conhecimento da época, já que nos descreve com elevado detalhe os usos, costumes, trajos, cerimónias, convívio e relações sociais. A sua última obra foi o Sermão dos Três Reis Magos, que compôs já no último ano da sua vida, para se confortar do desgosto que os frades do Espinheiro lhe causaram nas frustradas negociações para a missa quotidiana na capela que fizera erigir.

Escreveu cedo o seu testamento, deixando expressa a sua vontade de ser erigida uma capela em honra de N.ª S.ª do Egipto, perto do mosteiro do Espinheiro, para lá ser sepultado.Com a extinção das ordens religiosas, a capela foi violada, sendo a sua pedra tumular vendida. Durante muitos anos esta pedra serviu de tampo de mesa numa casa particular, até ser recuperada e devolvida ao mosteiro do Espinheiro em 1903.

In Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira. Lisboa; Rio de Janeiro: Editorial Enciclopédia Lda., [195-]. Vol. XXV, pp. 236-238.

Enciclopédia Universal Multimédia on-line.História da Literatura Portuguesa - Resende, Garcia de. [Online] URL: http://www.universal.pt/scripts/hlp/hlp.exe/geral?tipo=2&p=-1&texto=resende%2C+garcia. Acedido a 5 de Novembro de 2007.

sábado, 7 de dezembro de 2013

Lenda da Fonte do Capitão - Ribeira de Nisa

Nas hortas ao pé da Fonte do Capitão anda de há muito uma moura encantada. Em dias certos aparece ao povo com um tabuleirinho de passas, mas nunca ninguém as quis comer. Só no dia em que isso acontecer é que ela será desencantada.

Versão de Ribeira de Nisa (Portalegre) contada por Aníbal Candeias Tavares (n. 1973) cerca de 1986. Recolhida e publicada por Ruy Ventura (1996) – “Algumas Lendas da Serra de São Mamede”, separata de Ibn Maruán – Revista Cultural do Concelho de Marvão, nº 6, Dezembro: 33.

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Gastronomia Tradicional Alentejana - Gaspacho Alentejano

Ingredientes
200 g de pão alentejano duro
3 tomates maduros de tamanho médio
1 pimento verde pequeno
1/2 pepino
4 dentes de alho
4 colheres (sopa) de azeite
4 colheres (sopa) de vinagre
orégãos secos
1,5 l de água gelada
1 colher (sopa) de sal grosso

Preparação
Pisam-se os dentes de alho com sal, num almofariz.
Escalda-se e pela-se um tomate, retiram-se-lhe as grainhas e reduz-se a puré.
Misturam-se estes ingredientes, formando uma papa, e deitam-se no fundo de uma terrina.
Rega-se com parte do azeite, o vinagre, e polvilha-se com os orégãos secos, que devem ser esfarelados entre as mãos.
Corta-se o restante tomate e pepino em pequenos cubos, e o pimento em tiras finas.
Introduz-se tudo na terrina e juntam-se o restante azeite e a água gelada.
Por fim, corta-se o pão em fatias e depois, à mão, em pequenos pedaços, introduz-se no caldo.
Pode ser servido com presunto, azeitonas e mesmo acompanhando sardinhas assadas.

Receita retirada de Receitas e Menus

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Personalidades Alentejanas - RESENDE, André Falcão de

(n. Évora em 1527; m. Lisboa em 1599)

Era sobrinho de Garcia de Resende e primo de André de Resende. Frequentou as Universidades de Évora e Coimbra onde se formou em Artes e Lei Canónica, respectivamente. Seguiu a carreira de magistratura, foi juiz de fora em Torres Vedras e noutras vilas e cidades, e também auditor da Casa de Aveiro.

Foi amigo de Camões, poeta cujo estilo procurou imitar, de tal modo que durante muito tempo se pensou ser deste autor a obra Microcosmographia e descripção do Mundo Pequeno que é o Homem. Compou-lo em português, castelhano e latim. Publicou em Madrid os poemas Theocristo e Mundo Pequeno. Traduziu em oitavas as Homilias do cardeal D. Henrique. No livro Relação do solene recebimento que se fez em Lisboa às Santas Relíquias que se levaram à Egreja de S.Roque da Companhia de Jesus, do Padre Manuel de Campos foram publicadas muitas das suas poesias.

Em 1860 publicou-se um manuscrito com as Obras do Licenciado André Falcão de Resende, natural de Évora. Esta obra contem a Microcosmografia e 78 sonetos, 7 odes, 5 epístolas, 12 sátiras, 4 epitalâmios, 1 elegia, 7 estâncias, 1 epigrama, 2 sextilhas, 2 vilancetes, 32 versões de odes de Hóracio, a sátira 9ª do livro 1º do mesmo poeta e várias prosas.
 
In Enciclopédia Luso-Brasileira de Cultura. Lisboa: Editorial Verbo, 1983. Vol. 16, pp. 384-386.

In Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira. Lisboa; Rio de Janeiro: Editorial Enciclopédia Lda., [195-]. Vol. XXV, p. 233.

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Lenda da Escusa (Marvão)

[Diz-se que] S. Tiago […] viera [ao Porto da Espada] com os Cristãos perseguir os Mouros, e ao passar pela Escusa de hoje, tivera dito:
- “Ali se escusa de ir.”

Versão de Porto da Espada (Aramenha, Marvão), recolhida e publicada por Maria Tavares Transmontano (1979) – Subsídios para a Monografia do Porto da Espada […] (Concelho de Marvão), Viseu, Junta Distrital de Portalegre: 16.

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Gastronomia Tradicional Alentejana - Perninhas de Rã

Ingredientes
Perninhas de rã
tomate
cebola
alho
sal
pimentão verde
pimenta

Preparação
Faz-se um molho com tomate, cebola e alho e deixa-se refogar. Depois passa-se o molho pelo passador, devendo ficar grosso. As perninhas de rã devem estar já bem lavadas e temperadas com sal, após o que se colocam no molho e vão cozendo em lume brando, com umas tiras de pimentão verde e pimenta.

Receita retirada de Receitas e Menus

sábado, 23 de novembro de 2013

Personalidades Alentejanas - RESENDE, André de

(n. Évora ca. 1500, m. Évora em 1573)

Humanista português. Ingressou com dez anos no convento da ordem de São Domingos. Frequentou depois várias universidades espanholas, como as de Alcalá de Herares e Salamanca. Doutorando-se nesta última.

Em 1533 foi convidado para mestre do infante D. Duarte. Transferiu-se por essa altura da ordem dominicana para a situação de clérigo secular. Regia, simultaneamente, a cadeira de Humanidades na Universidade de Lisboa, passando a leccionar, em 1537, na de Coimbra.

André de Resende foi, provavelmente, o pioneiro da arqueologia em Portugal, à qual se dedicou com zelo, devendo-se-lhe o primeiro estudo dos monumentos epigráficos da época romana em Portugal. Foi sepultado em Évora, no claustro do convento de São Domingos.

Deixou-nos numerosos manuscritos em latim e português (livros, opúsculos, poemas, estudos arqueológicos), sendo as suas obras principais Encomium Urbis et Academiae Lovaniensis (1530); Erasmi Encomium, Carmen Eruditum et Elegans (1531); In Erasmomastigas Iambi (1531); De Vita Aulica (1533); Oratio Pro Rostris (oração de sapiência na abertura da Universidade de Lisboa, em 1534); Vincentius Levita et Martyr (1545); História da Antiguidade da Cidade de Évora (1553); Vida do Infante D. Duarte e as obras póstumas Ad Bartholomaeum Kebedium (1576) e Antiquitatum Lusitaniae (1600).

Revelou-se ainda como compositor musical, sendo da sua autoria o Ofício de São Gonçalo e o Ofício de Santa Isabel.

Enciclopédia Universal Multimédia on-line. História da Literatura Portuguesa - Resende, André de. [Online] URL: http://www.universal.pt/scripts/hlp/hlp.exe/geral?tipo=2&p=-1&texto=resende. Acedido a 18 de Outubro de 2007.

domingo, 17 de novembro de 2013

Lenda da Cova da Moura - (Porto da Espada, Aramenha)

Em tempos que já lá vão, em vésperas da manhã de S. João, chegou à porta duma mulher, que morava perto da Cova da Moura, um homem que lhe pediu pousada.

Como a mulher lha cedesse, depois de cear, pendurou o bornal que trazia numa estaca de madeira na parede interior da chaminé, foi deitar-se, e logo adormeceu.

O mesmo não sucedeu à dona da casa que, cheia de curiosidade, logo que a ocasião lho permitiu, levantou-se e foi abrir o bornal. Como nele estavam três bolos, quis prová-los, cortou um, tendo o cuidado de o pôr sob os outros. À madrugada o cavaleiro levantou-se, pegou no bornal, e dirigiu-se à Cova da Moura onde estavam três irmãs encantadas.

À primeira deu-lhe um bolo que se transformou num cavalo, que partiu a galope levando-a para a Mourama.

À segunda aconteceu o mesmo que à primeira, e à terceira, cheio de surpresa, deu-lhe o bolo partido que se transformou num cavalo coxo que a não pode levar com rapidez antes do sol nascer para junto das irmãs, e por isso ali ficou eternamente encantada, esperando em cada manhã de S. João o cavaleiro que nunca mais apareceu!...

Versão de Porto da Espada (Marvão), recolhida e publicada por Maria Tavares Transmontano (1979) – Subsídios para a Monografia do Porto da Espada […] (Concelho de Marvão), Viseu, Junta Distrital de Portalegre: 25.

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

Gastronomia Tradicional Alentejana - Miolos de Borrego

Ingredientes
2 mioleiras
6 ovos
1 cebola pequena
1 pãozinho pequeno esfarelado
4 rins de borrego
banha q.b.
sal q.b.

Preparação
Cozem-se as mioleiras em água e sal, fritam-se os rins aos bocadinhos, pica-se a cebola que se frita em banha juntamente com o rim. Batem-se os ovos, põe-se o miolo de pão, juntam-se a mioleira e os ovos ao rim e mexe-se tudo muito bem. Está pronto a servir.

Receita retirada de Receitas e Menus

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Personalidades Alentejanas - REAL, Jerónimo Corte

(n. Lisboa em 1530?; m. Évora em 1588)

Terá nascido em Lisboa de uma família nobre e faleceu em Évora. Serviu como militar em Marrocos e na Índia. Tornou-se conhecido com o Segundo Cerco de Diu (1574), poema em vinte e dois cantos dedicado ao rei D. Sebastião. O poema celebra os feitos militares de D. João de Castro e de D. João de Mascarenhas no cerco que a cidade de Diu sofreu em 1546. Escreveu também em quinze cantos e em castelhano a Austríada (1578) e o Naufrágio de Sepúlveda (1598). Os poemas têm um tom laudatório e relevam da poesia épica. O autor reflecte a decadência do império português nos finais do século XVI.

As suas principais obras são: Sucesso do Segundo Cerco de Diu, Estando D. João de Mascarenhas por Capitão da Fortaleza (Lisboa, 1574); Austríaca ou Felicissima Victoria Concedida del Cielo al Señor D. Juan de Austria en el golfo de Lepanto de la Poderosa Armada Otomana en el Año de Nuestra Salvación de 1572 (Lisboa, 1578); Naufrágio e Lastimoso Sucesso da Perdição de Manuel de Sousa Sepúlveda e Dona Leonor De Sá Sua Mulher (Lisboa, 1594); Auto dos Quatro Novíssimos do Homem, no Qual Entra também uma Meditação das Penas do Purgatório (Lisboa, 1768).

Projecto Vercial. Jerónimo Corte Real. [Online] URL: http://alfarrabio.di.uminho.pt/vercial/creal.htm. Acedido a 18 de Outubro de 2007.

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Lenda da construção do castelo de Marvão

[V]indo […] a Medóbriga um mouro de África e vendo ali certa senhora portuguesa muito fermosa, se enamorou dela, e cometendo tratar casamento, ela lhe respondeu que, se ele levantasse ũa fortaleza no alto daquelas rochas que pareciam, se casaria com ele, parecendo-lhe cousa impossível. O mouro, vendo-se tam preso da sua galhardia e fermosura, prometeu de a fazer dentro de ũa noite. E quando ao outro dia amanheceu, as torres da fortaleza estavam parecendo. A senhora, vendo-se convencida e obrigada pela palavra, se deitou de ũa varanda abaixo e se matou, por não se ver casada com um mouro.

Versão de Galegos (Marvão) contada por “ũa velha” em finais do século XVI e recolhida por Diogo Pereira Sotto Maior (1984) – Tratado da Cidade de Portalegre, (introdução, leitura e notas de Leonel Cardoso Martins), Lisboa, INCM / Câmara Municipal de Portalegre: 40.

terça-feira, 5 de novembro de 2013

Gastronomia Tradicional Alentejana - Orelha de Porco Assada

Ingredientes
Orelha de Porco
alho
azeite
vinagre
sal

Preparação
Limpa-se muito bem a orelha, raspa-se e lava-se. Corta-se a parte de cima em quadrados até à cartilagem. Tempera-se com uma pasta de alho com sal e grelha-se nas brasas ou na chapa, molhando regularmente com uma mistura de azeite e vinagre. Depois de assada, corta-se aos bocados e enfeita-se com salsa.

Receita retirada de Receitas e Menus

domingo, 3 de novembro de 2013

Personalidades Alentejanas - QUEIROZ, José Maria Eça de

(n. Póvoa do Varzim em 1845; m. Paris em 1900)

Escritor, licenciado em Direito pela Universidade de Coimbra, funcionário do quadro do pessoal técnico superior do Ministério dos Negócios Estrangeiros, exercendo as funções de cônsul. É considerado o principal introdutor do romance realista em Portugal. A sua importância para a História da Literatura Portuguesa foi assinalada por António José Saraiva e Óscar Lopes, e a sua vida e obra foi objecto dum exaustivo ensaio biográfico da autoria do crítico João Gaspar Simões, em 1945. Ainda hoje deve ser o escritor português mais lido em Portugal e no Brasil, e aquele que é objecto de maior número de obras de investigação e teses universitárias nos domínios da língua e da história das mentalidades.

Em 1866, com o grau de bacharel em Direito pela Universidade de Coimbra, Eça de Queiroz instalou-se em Lisboa, iniciando a sua colaboração jornalística na Gazeta de Portugal, com umas «Notas Marginais».

A partir de 6 de Janeiro de 1867 inicia-se a sua estreita ligação à cidade de Évora. Efectivamente, encontrou trabalho nesta cidade aos 21 anos de idade, como redactor-principal do bi-semanário o Distrito de Évora, aceitando a proposta que os amigos e parentes de seu pai, residentes na cidade, lhe haviam feito. Supõe-se que não devem ser estranhos ao convite, o Par do Reino e grande proprietário, Dr. José Maria Eugénio de Almeida e Lobo de Ávila, depois Conde de Valbom, que devem ter sido condiscípulos do pai do romancista na Universidade de Coimbra. Neste jornal, Eça de Queiroz escreveu o editorial e outros artgos como a «Crónica», a «Correspondência do Reino», a «Revista crítica dos Jornais», a «Política Estrangeira», a «Crítica de Literatura e Arte» e «Leituras Modernas». Eça foi na realidade o director, o chefe de redacção, o redactor e o repórter do periódico. Até 11 de Julho de 1867, Eça de Queiroz manteve a viva a chama do jornalismo combativo e de intervenção nesta cidade.

Foi também em Évora que abriu um escritório de advogado pela primeira vez. Com efeito, foi defensor de André Maria Ferreira Vilalobos, o qual denunciava o «escandaloso» aforamento da herdade do Sobral, em detrimento da Casa Pia da cidade. Em Dezembro de 1867 deixa a cidade de Évora para se estabelecer como advogado em Lisboa. A partir desta década desenvolverá a actividade literária e cultural por que é conhecido.

Participou nas Conferências do Casino e é um dos membros da Geração de 70. Foi nomeado cônsul, tendo viajado pelo Egipto, Cuba, Londres, Paris, etc. Das suas obras destacam-se Uma Campanha Alegre (1871), O Crime do Padre Amaro (1875-1876), O Primo Basílio (1878), A Relíquia (1887), Os Maias (1888), A Correspondência de Fradique Mendes (1900), A Cidade e as Serras (1901), Contos (1902) e Prosas Bárbaras (1903). Traduziu o romance de Rider Haggard, As Minas de Salomão.

In Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira. Lisboa; Rio de Janeiro: Editorial Enciclopédia Lda., [195-]. Vol. IX, pp. 385-387.

In SILVA, Joaquim Palminha (Coord.) - Dicionário Biográfico de Notáveis Eborenses 1900/2000. Évora: Tip. Diário do Sul, 2004. pp. 111-112.

quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Claustro do Cv. S. Francisco, em Estremoz


Aspecto parcial do Claustro do Convento de São Francisco, em Estremoz.

Autor David Freitas
Data Fotografia 1975 ant. -
Legenda Claustro do Cv. S. Francisco, em Estremoz
Cota DFT4522 - Propriedade Arquivo Fotográfico CME

domingo, 27 de outubro de 2013

Anedotas sobre Alentejanos

Estavam dois velhos Alentejanos falando sobre o mar quando a páginas tantas diz um pro outro:
- Oh home, cala-te que n’a percebes nada de mar.
Resposta pronta do outro:
- Pra tua informação, o mar morto, que é o mar morto já eu o conhecia antes dele estar doente.





Certo dia um alentejano estando aflito para arrear o calhau, preparava-se para o fazer mesmo ali atrás do coreto. Quando estava já preparado, olha pra trás, vê um escaravelho e diz-lhe de imediato:
- Ah, és guloso?! Pois já nã cago.





Estão dois alentejanos encostados a um chaparro à beira da estrada, quando passa um automóvel a grande velocidade e deixa voar uma nota de 10 contos que vai cair no outro lado da estrada. Passados cinco minutos, diz um alentejano para o outro:
- Cumpadri, se o vento muda temos o dia ganho.





Conversa entre alentejanos:
- Cumpadri, porque é que você arrancou dois dentis no mesmo dia?
- Porque o dentista não tinha troco de 10 contos.





Um cientista alentejano resolve fazer uma experiência. Pega num porco e numa lanterna, leva os dois para o topo de um prédio de quinze andares e deixa-os cair ao mesmo tempo. Repara que os dois chegam ao mesmo tempo ao chão. Sabem qual foi a conclusão a que chegou?
- Os porcos movem-se à velocidade da luz.





Um turista pergunta a um alentejano:
- Ja nasceu aqui algum grande homem?
- Na senhori. Aqui so nascem criancas!...

Anedotas de Alentejanos

Um alentejano veio a Lisboa e encontrou-se com um amigo. Andavam os dois a passear pela rua e o alentejano cumprimentava todos os manequins que via nas montras. O amigo disse-lhe para não fazer aquilo, porque aquelas figuras não eram pessoas.
- Bom, está beim - respondeu-lhe o alentejano.
Certo dia iam a passar por um quartel e estava lá o sentinela em sentido. Vai o alentejano dá-lhe uma bofetada e diz:
- Quem é que há-de dizer que um safado destes não é gente?





Diz um alentejano para o outro:
- Compadre! Já viu aquela gaivota morta?
O outro põe a mão por cima da testa, olha para o céu e responde:
- A donde compadri?





Dizia um caçador lisboeta numa tasca alentejana depois de um dia de caça:
- Hoje cacei 100 coelhos, 200 perdizes e 300 tordos.
Diz-lhe um alentejano:
- Atão você é tal e qual coma mim.
- Ah! Então o senhor também é caçador?
- Nã senhori, sou munta mentiroso!





Precisando de mais um piloto para a sua frota de aviões, uma empresa comercial lisboeta pôs um anúncio no jornal pedindo candidatos. Entre outros, aparece um alentejano.
Eis o conteúdo da sua entrevista:
- Então o senhor tem brevet de pilotagem?
- Tenho o queim?
- O senhor sabe pilotar aviões?
- Nã senhori.
- Percebe alguma coisa de coordenadas de voo?
- Nã senhori.
- Sabe, ao menos, falar Inglês?
- Nã senhori.
- Então o que é que veio cá fazer?
- Ê vim cá dzêri, pá nã contarem cá comigo!





Diz um alentejano para o outro:
- Então o compadri vai-se casar por amor ou por enteressi?
- Deve ser por amori que eu nã tenho enteresse nenhum na gaja!






Um alentejano apanha um comboio para ir ao Porto e senta-se ao lado de um senhor muito bem vestido. O alentejano começa a olhar e pergunta:
- Por acaso você nunca apareceu na televisão?
Ao que o Sr. responde:
- Sim, eu costumo ir a muitos concursos de cultura geral e por isso o Sr. deve-me conhecer daí. Como a viagem vai ser longa, você por acaso não quer fazer um jogo comigo?
- Pode ser. - Respondeu o alentejano.
- Então fazemos assim: como eu tenho mais cultura que o Sr., você faz-me uma pergunta sobre um assunto qualquer e se eu não souber responder, dou-lhe 10 contos. A seguir faço-lhe eu uma pergunta e se não souber a resposta, dá-me só mil escudos. Concorda?
- Vamos a isso. - respondeu o alentejano confiante.
- Então eu faço-lhe a primeira pergunta. Diga-me o nome da pessoa que escreveu "Os Lusíadas", aquele poeta só com um olho, que dignificou Portugal?
O alentejano começa a pensar e passados alguns instantes diz:
- Nã sei. Ê nã sei leri.
- A resposta era Luis de Camões. Dê-me os mil escudos e faça-me uma pergunta qualquer.
- Tomi. Bem, qual é o animali que se o encostar a um chaparro sobe-o com quatro patas e desce-o com cinco patas?
- Olhe, essa nem eu sei. - respondeu o homem muito admirado.
- Então passe para cá os 10 contos.
- Tome. Mas agora diga-me, que animal é esse?
- Tamém nã sei. Tome lá mil escudos.




No velho oeste já havia alentejanos e um deles era sentinela no forte do General Custer. Estava ele no seu posto de trabalho, quando se apercebe de um bando de índios a aproximarem-se do forte e então dá o alarme:
- General, general! Índios à vista!
- São amigos? - pergunta o general.
- Devem ser, general. Eles estão todos juntos!




Dois alentejanos encontram-se em França. Diz um deles:
- Então Manuel, como é que vais?
- Eu não me chamo Manuel e nunca o vi na minha vida.
- Não é possível! Então não estivemos juntos em Lisboa?
- Eu nunca estive em Lisboa.
- Espera, eu também nunca estive em Lisboa...
- Se calhar, foram outros dois.




Houve uma altura em que um dos aviões da TAP foi pilotado por um alentejano.
Então, certo dia durante uma viagem o avião tem um problema e um dos motores
pára. O alentejano através do rádio diz para os passageiros:
- Devido a um problema técnico, vamos chegar ao nosso destino com meia hora
de atraso.
Passados alguns instantes, o segundo motor pára e novamente o piloto diz aos
passageiros:
- Lamento informar, mas vamos chegar com uma hora de atraso.
Mais alguns instantes passaram e os motores param todos. Com uma calma
incrível, o piloto diz aos passageiros:
- Lamento informar, mas vamos passar o resto da noite no ar...




Havia um alentejano que tinha um Grande amigo que era comandante de um navio. Um dia o comandante morreu e no dia seguinte o alentejano apareceu morto, a boiar em frente à praia. Os amigos demoraram algum tempo a descobrir que ele se tinha afogado ao tentar concretizar o último desejo do seu amigo. Isto é, estava a cavar um túmulo para o amigo que queria ser sepultado no mar.




Após uma recente investigação científica (realizada por alentejanos) ficou provado que a maior parte das invenções foram realizadas por alentejanos.
Os outros povos limitaram-se a aperfeiçoá-las. Por exemplo:
- Os limpa-vidros foram inventados pelos alentejanos. Os americanos limitaram-se a passá-los para o lado de fora dos automóveis.
- A injecção foi inventada por um alentejano. Os alemães apenas substituíram o prego por uma agulha.
- Foi também um alentejano que inventou o pente sem dentes para carecas.
- O pára-quedas foi inventado por um grupo de alentejanos. Os ingleses só descobriram que este deveria abrir logo após o salto, e não no momento do impacto.





Dois Alentejanos resolvem ir a Lisboa passear! Quando chegam lá, o que resolvem fazer? Ir às "meninas".
Chegam a um bordel, e depois de terem escolhido as "meninas", vão para o quarto.
Quando já estavam quentes e preparados para o "catra-pau-pimba", diz a "menina", ao dar-lhe uma camisinha para a mão:
- " Olha tens que usar esta coisinha, 'tá bém?"
- " Atão porquêi?"
- " Isto é para não ficarmos grávidas!"
- " 'Tá bém, pode sêri!"
Bem, depois de terem acabado, foram embora p'rá terra.
Encontram-se duas semanas mais tarde e diz um para o outro:
- " O Cumpadre, aquelas Lisboetas pá! Aquilo é que foi."
- " Se foi, ê dê duas trancadas, com'ê nunca tinha dado na vida!"
- " Olhe lá, vocemecêi; importa-se qu'elas engravidem?"
- " Ê não! Quero lá saberi!"
- " Atão vamos tirar estas porras qu'há quinze dias qu'ê na mijo!"

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Gastronomia Tradicional Alentejana - Pézinhos de Coentrada

Ingredientes: 
8 pézinhos de porco
100 gr. de banha
2 molhos de coentros
2 folhas de louro
8 dentes de alho
3 colheres de farinha
1 dl de vinagre
sal

Preparação: 
Arranjam-se muito bem os pés de porco e abrem-se ao meio. Salgam-se durante dois ou três dias. Depois de limpos de sal, cozem-se muito bem. Escolhem-se as folhas dos coentros e pisam-se num almofariz, juntamente com os alhos e o sal. Num tacho derrete-se a banha e alouram-se ligeiramente os condimentos que foram pisados no almofariz, assim como as folhas de louro. Em seguida, colocam-se os pézinhos de porco com um pouco de água onde foram cozidos. A água deverá ser passada por um passador de rede fina. Deixa-se apurar um pouco, para depois se acrescentar a farinha e o vinagre, previamente misturados. Acompanha com pão frito.

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Personalidades Alentejanas - PIRES, António Thomaz

(n. Elvas a 7 Março 1850; m. Elvas em 1913)

Filho de Manuel Justino Pires e de D. Francisca da Piedade Pires. Foi Secretário da Câmara Municipal e notabilizou-se no estudo da história e da etnografia de Elvas e do Alto Alentejo em geral.

Colaborou com Teófilo Braga, José Leite de Vasconcelos, Gonçalves Viana, Adolfo Coelho, entre outros.

As suas investigações foram publicadas em jornais e revistas regionais como Sentinela da Fronteira, O Elvense, Progresso de Elvas, Folha de Elvas, A Perola, O Bohemio, O Liberal, Correio Elvense, A Fronteira, nas secções literárias do Jornal da Manhã (Porto), Gazeta de Portugal (Lisboa), Globo (Lisboa), e nas revistas El Folk-lore Andaluz (Sevilha), El Folk-lore Bético-Estrermeño (Fregenal), Archivio per le tradizioni popolari (Palermo), Archivo de Ex-libris Portuguezes (Génova), Boletim da Sociedade de Geographia (Lisboa), Revista do Minho (Esposende), A Tradição (Serpa), O Archeologo Portuguez (Lisboa), Revista Lusitana (Lisboa), Portugalia (Porto), e Mundo Illustrado (Porto).

Da sua incansável pesquisa e recolha das riquezas folclóricas de Elvas e da sua região (canções, rimas populares, adivinhas, adágios, rifões e anexins, romances e orações, contos e jogos) resultaram várias obras de entre as quais se destacam: Cancioneiro popular politico (Elvas, 1891); Folk-lore portuguez. Setecentas comparações populares alentejanas (Esposende, 1892); Calendario rural (Elvas, 1893); Notas historico-militares (Elvas, 1898); Materiaes para a historia da vida urbana portuguesa (Lisboa, 1899) (Separata do Boletim da Sociedade de Geographia de Lisboa); Catalogo do Museu Archeologio da Camara Municipal de Elvas (Lisboa, 1901) (Separata de O Archeologo Portuguez); Contos populares portuguezes (Elvas, 1902-1912); Estudos e notas elvenses.

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Sala do Capítulo, Cv. S.Francisco, Montemor-o-Novo


Sala do Capítulo do Convento de São Francisco de Montemor-o-Novo.

Autor David Freitas
Data Fotografia 1960 - 1970
Legenda Sala do Capítulo, Cv. S.Francisco, Montemor-o-Novo
Cota DFT522 - Propriedade Arquivo Fotográfico CME

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Anedotas sobre Alentejanos

Por que é que os Alentejanos quando andam de mota levam um machado à frente?
É para cortarem o vento.





Onde é que os Alentejanos costumam guardar o dinheiro?
Debaixo da enchada. Ninguem lá toca.





Estavam dois Alentejanos a brincar à apanhada. Vai um deles e diz assim:
- Já estou farto de correr atrás de ti. A partir de agora corres tu à minha frente.
Vai o outro e diz:
- Tá bem, por mim tanto faz.





Uma brigada de transito estava a fazer um relatório de um acidente de viação e perguntou a um pastor Alentejano como tinha sido o acidente. Resposta do pastor:
- Os senhores guardas veêm ali aquela estrada? Veêm aquela curva? Veêm aquele chaparro? Olhe eles não viram.





Um miudo Alentejano pergunta ao pai como se fazia um filho. Diz o pai:
- Ora, mete-se a pilinha num buraquinho e pronto faz-se um filho.
Um dia estava o alentejanito a mijar num buraco de parede e salta de lá um grilo, vai o moço e diz assim:
- Porra, logo preto e com cornos, se não fosses meu filho acabava-te já com o cagar.

Anedotas de Alentejanos

Dois "Alentejanos" acabam de assaltar um banco com sucesso.
Param o carro uns quilómetros 'a frente:
- Atão vamos contar o dinhêro???
- Nem pense nisso. Esperemos po noticiário, cumpadre...





Estavam dois agricultores, um Americano e um Alentejano :
- Qual é o tamanho da sua quinta ? - pergunta o Americano.
Para os padrões portugueses, a minha quinta tem um tamanho razoável, vinte alqueires, e a sua? - retruca o nobre lusitano.
- Olha, eu saio de casa de manha, ligo o meu jeep e ao meio dia ainda não percorri a metade da minha propriedade.
- Pois é, - responde o Alentejano - já tive um carro desses. É uma merda...





Estava-se a fazer um concurso ao alvo com 3 concorrentes. Um Alentejano, um Francês e um Inglês. Coloca-se uma maçã em cima da cabeça de um homem e o Inglês atira a seta. Depois de acertar diz: I'm Robin Hood.
O Francês atira a sua seta espetando-a em cima da do Inglês e diz: I'm Gilherme Tell.
O Alentejano atira a seta acertando inevitavelmente na cabeça do homem, olha para o publico e diz: I'm sorry.





Num congresso de genética apresentam-se os mais conceituados cientistas. Discutem e apresentam as suas novas invenções.
Um Holandês: "Eu tenho a apresentar o cruzamento entre uma abóbora e uma ervilha sem ambos perderem nenhuma das suas capacidades"
Todos aplaudem
Um alentejano: "Eu tenho a apresentar o cruzamento entre um pirilampo e um chato sem ambos perderem as suas capacidades."
Alguém pergunta "Qual a finalidade disso?"
O Alentejano: "De noite, a coisa da minha Maria parece Las Vegas"





Dois lisboetas iam pelo Alentejo, quando encontram um Alentejano sentado a sombra de uma Azinheira:-) Resolvem chatea-lo um pouco e perguntam:
- Compadre, quanto tempo falta para chegar onde queremos ir?
- Uns 10 minutos, responde o alentejano.
- Mas como, indaga um dos lisboetas?
- E' que esse e' o tempo que demora para chegar onde eu caguei, e vocês estão com cara de quem quer ir 'a merda...





Estava um Alentejano sozinho num autocarro e alem dele só' o motorista.
Estava a chover muito e o infeliz estava mesmo sentado por baixo de uma goteira.
O motorista para num sinal vermelho e ao olhar para o espelho vê aquilo e pergunta :
-Mas porque e que não troca de lugar ?
-Ê até trocava, mas com queim ??





Dois alentejanos:
- Atã compadre, nã quêra lá ver que hoje de manhã fui dar com dois caracóis no mê quintali!
- Ah sim !? E atão o que é que você fez?
- Ah compadre! Um ainda o apanhei mas o outro ... conseguiu fugir!!





Dois alentejanos, zangados à muito tempo, passam um pelo outro num caminho. Um deles leva um bovino à frente. Diz o outro:
- Atão vai passear o boi?
O outro, muito admirado:
- Mas que jêto, compadre? A gente nã se falava há tanto tempo! Mas isto nã é um boi. É uma vaquinha. O compadre enganou-se.
Resposta do primeiro:
- Ê cá nã falê consigo. Foi com a vaca.

terça-feira, 15 de outubro de 2013

Gastronomia Tradicional Alentejana - Túberas com Ovos

Ingredientes:
1 kg de túberas
ovos
1 ramo de salsa
1 cebola pequena
sal
azeite e óleo para fritar

Preparação:
Lavar muito bem as túberas e pelá-las. Lavar uma segunda vez para retirar toda a terra. Cortar às rodelas e temperá-las com sal. Numa frigideira, deitar o azeite e o óleo, deixar aquecer e fritar as túberas sucessivamente. À parte, num prato, partir os ovos, picar a cebola e a salsa finamente, e bater tudo junto com uma pitada de sal. Colocar novamente as túberas na frigideira e deitar por cima os ovos.
Serve como acompanhante ou petisco.

domingo, 13 de outubro de 2013

Personalidades Alentejanas - PICÃO, José da Silva

(n. Santa Eulália - Elvas - a 10 Março 1859; m. 18 Maio 1922)

Lavrador e escritor. Filho de D. Maria Francisca da Silva Lobão Telo e de Francisco de Assis Picão. Foi um autodidacta, pois desde cedo adquiriu hábitos inveterados de leitura. Dedicou-se ao estudo dos tratados agrícolas e pecuários e nas horas de descanso devorava os livros de Vítor Hugo, Camilo Castelo Branco, Balzac, Eça de Queiroz e Zola.

Foi um espírito arguto e esclarecido. Fruto do meio em que nasceu e sem preparação literária erudita, escreveu sobre a sua terra e a sua gente. Colaborou no periódico O Elvense, com o pseudónimo de João Chaparro e publicou alguns artigos na Portugália, revista de Ricardo Sereno, subordinados ao título “Etnografia do Alto Alentejo (concelho de Elvas)”. Em 1903 editou a obra Através dos Campos - Usos e costumes agrícolo-alentejanos (concelho de Elvas) a expensas do bibliófilo António José Torres de Carvalho.

Outro trabalho de Silva Picão foi A caminho da Cegonha. Aqui descreveu a odisseia de uma aldeia alentejana (Santa Eulália) condenada ao martírio periódico da falta de água, que dificilmente se adquiria em poços ou em escassos mananciais, de onde era tirada por meio de um chocalho. Esta é uma pequena obra-prima da literatura regional, pelo valor do estilo, acerto no emprego do vocabulário e rigor descritivo. Foi pela primeira vez publicada num pequeno opúsculo intitulado O Elvense de 1894. Em 1940 publicou-se uma nova edição desta novela regionalista.





In PICÃO, José da Silva - Através dos Campos: Usos e costumes agrícolo-alentejanos (concelho de Elvas). 2.ª Ed. Lisboa: Editora Guimarães, 1937. pp. XIII-XVIII.

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Castelo de Vila Viçosa


Castelo de Vila Viçosa: caminho de ronda, torres circulares e Torre de Menagem (?). Esta imagem está publicada no Inventário Artístico de Portugal de Túlio Espanca (Distrito de Évora, Zona Sul, Volume II)

Autor David Freitas
Data Fotografia 1950 - 1978 ant.
Legenda Castelo de Vila Viçosa
Cota DFT6157 - Propriedade Arquivo Fotográfico CME

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Anedotas de Alentejanos

Um Alentejano vai à praia pra se bronzear. Deita-se na areia, adormece e quando acorda vê um preto ao lado dele a apanhar sol.
- Ó cumpadre, há quanto tempo é que está cá?
- Dois dias.
- Porra e eu que era pra ficar quinze dias.





Estavam dois Alentejanos e um galego. Um dos alentejanos diz assim:
- O pensamento é a coisa mais rápida do mundo, basta uma pessoa pensar e já está.
Vai outro e diz assim:
- Não, a coisa mais rápida do mundo é a electricidade. Basta uma pessoa ligar o interruptor e acende-se logo a luz.
Vai o galego e diz:
- Não senhora, estão todos enganados. A coisa mais rápida do mundo é a caganeira. Veja lá que eu esta noite não tive tempo para pensar nem tão pouco para acender a luz e caguei-me todo.

Anedotas sobre Alentejanos

Um Alentejano de Serpa andava a aprender Inglês num curso de adultos, a professora passou-lhe um trabalho para casa sobre as cores, o que o Alentejano evidentemente não fez. No dia seguinte, a professora pergunta pelo trabalho, vai o Alentejano e diz:
- Ontem quando cheguei a casa, ouvi o telefone GREEN!!!, atendi e disse YELLOW!!!, ouvi do outro lado: “- Vai à bardamerda” . - E eu PINK!!!





Estavam dois alentejanos debaixo de uma azinheira. Um deles trazia um porco ao colo e andava a dar-lhe bolota. Passam dois senhores e veêm aquele quadro e dizem para o Alentejano:
- Então não era melhor derrubar a bolota e o porco comia no chão?
Nisto vira-se o Alentejano para o outro e diz-lhe:
- Ó compadre devem ser engenheiros!!!





No Alentejo andava um rebanho junto à linha férrea. Aparece um comboio e mata quatro ovelhas. O patrão manda chamar o pastor e pergunta-lhe como tinha sido. Resposta do pastor:
- O patrão e tivemos muita sorte, porque se o comboio viesse atravessado matava-as todas.





Por que é que mandaram 10000 Alentejanos para o GOLFO quando houve conflitos?
Foi para acalmarem a situação.





E depois há aquela história do alentejano que vivia com um problema existencial.
O pobre do homem vivia sem conseguir distinguir os 2 cavalos perfeitamente iguais que tinha no quintal. Felizmente, um dia, descobriu que o cavalo branco era dois palmos mais alto que o preto.





Um grupo de amigos está a contar anedotas. Um deles anuncia:
- Pessoal, tenho umas anedotas fresquinhas sobre Alentejanos !
Responde uma das pessoas do grupo:
- Antes de continuares, aviso-te, eu sou Alentejano !
E o outro responde:
- OK, esta bem, eu conto-as devagar...

sábado, 5 de outubro de 2013

Gastronomia Tradicional Alentejana - Chispe Afiambrado à Alentejana

Ingredientes:
1 chispe de porco com mais ou menos 1 kg
1 ramo de manjerona
1 ramo de salsa
1 folha de louro
1 cebola
1 colher (sopa) de vinagre
1 ovo
Vinho branco e água ( partes iguais)
6 grãos de pimenta
2 cravos-da-Índia
Pão ralado
Sal

Preparação:
Mete-se o chispe numa panela cobrindo-o com metade de água e vinho. Junta-se o louro, os cravos, a pimenta, a cebola às rodelas, a salsa, a manjerona, o vinagre e o sal, deixando-se cozer. Depois de frio, tira-se a pele dura, passa-se pelo ovo batido e envolve-se no pão ralado. Leva-se ao forno para tostar. Servir cortado às fatias fininhas com acompanhamento a gosto.

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Personalidades Alentejanas - PEREIRA, Gabriel Victor do Monte

(n. Évora em 1847; m. Lisboa em 1911)

Nasceu na antiga Rua da Ladeira, filho dum professor do ensino secundário. Fez em Évora todo o ensino primário e secundário, indo para Lisboa fazer os estudos preparatórios para entrar na Escola Naval, que veio a abandonar a instâncias da família. Matriculou-se depois na Escola Politécnica, mas não terminou o curso. Estudou Paleografia na Torre do Tombo, frequentando as aulas do Dr. João Pedro da Costa Branco.

Relacionando-se com vários estudantes que viriam a ser figuras destacadas do meio artístico e político português do fim-de-século XIX, destacando-se Brito Aranha, Mariano Cordeiro Freio, Gomes de Brito, António Enes e Rafael Bordalo Pinheiro. Num ambiente de tertúlia literária e artística, formou com estes jovens uma «Academia», que se reunia na Praça da Alegria em Lisboa, no estúdio de Rafael Bordalo Pinheiro.

Professor do Liceu de Setúbal, dedicou-se ao estudo da História e Arqueologia. Regressado a Évora com o encerramento do Liceu de Setúbal, é proposto pelo Dr. Augusto Filipe Simões e aceite como amanuense da secretaria da Santa Casa da Misericórdia de Évora (1872), tendo a seu cargo a organização e conservação do arquivo histórico desta instituição, num trabalho que lhe levou catorze anos.

Entregou-se à publicação de trabalhos que lhe possibilitaram a familiaridade com eruditos de vários países. Traduziu os escritores gregos e romanos clássicos que tratam da geografia da Península Ibérica, como Estrabão e Plínio. Em 1880, a Universidade de Coimbra confia-lhe a elaboração do índice provisório dos documentos do seu cartório, publicados sob o título Catálogo Provisório dos Pergaminhos da Universidade de Coimbra (1888). Entretanto, o seu trabalho na Santa Casa da Misericórdia de Évora foi de tal monta que, ao averiguar do paradeiro da documentação de bens considerados perdidos, conseguiu duplicar os rendimentos da instituição. A estes trabalhos seguiram-se a publicação dos Estudos Eborenses: História, Arte, Arqueologia num total de 37 folhetos em dois volumes (1886-1916).

Vereador da Câmara Municipal de Évora (Pelouro da Instrução) em 1886-1987, veio a ser convidado pelo seu antigo companheiro de juventude, António Enes, como «empregado extraordinário» da Biblioteca Nacional de Lisboa (1888), nomeado Inspector das Bibliotecas em 1902 e Inspector das Bibliotecas e Arquivos Nacionais, posteriormente. Foi membro da Real Associação dos Arquitectos e Arqueólogos Portugueses, da Sociedade de Geografia e da Sociedade Literária Almeida Garrett.

Em 1919, uma lápide comemorativa foi colocada na casa onde viveu, e na antiga Rua da Ladeira (freguesia de Santo Antão), a placa toponímica passou a ter o seu nome. Em 1950, os seus restos mortais foram trasladados do cemitério do Alto de S. João (Lisboa), para o Cemitério dos Remédios em Évora, no talhão especialmente destinado aos homens mais ilustres da cidade.





In SILVA, Joaquim Palminha - Dicionário Biográfico de Notáveis Eborenses 1900/2000. Évora: Tip. Diário do Sul, 2004. pp. 103-104.

terça-feira, 1 de outubro de 2013

Retábulo da Ermida de São Pedro


Retábulo de pintura portuguesa (c. 1560) da Ermida de São Pedro, em Montemor-o-Novo. Esta imagem está publicada no Inventário Artístico de Portugal de Túlio Espanca (Distrito de Évora, Zona Norte, Volume II)

Autor David Freitas
Data Fotografia 1975 ant. -
Legenda Retábulo da Ermida de São Pedro
Cota DFT4503 - Propriedade Arquivo Fotográfico CME

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Anedotas Alentejanas

Uma comadre estava zangada com o seu marido, ao discutirem às tantas ela diz para ele, Ò homem tu ainda te atreves a olhar para mim?
Diz-lhe ele num tom conciliador: 
Que queres ó mulher chega a uma altura que a gente acaba por se acostumar a tudo!




Um alentejano vai no comboio regional e dá-lhe uma grande "caganera". Vai para o WC mas está fechado... decide aliviar-se no corredor...
Entretanto chega o revisor e diz:
- "Sinto muito, mas vai ter de me acompanhar, e vou ter de dar parte ao chefe"
Ao que o alentejano responde:
- "Concerteza, e por mim até a pode dar toda..."

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Gastronomia Tradicional Alentejana - Canja de Garoupa

Ingredientes:
2 postas de garoupa (500g aprox.)
1cebola media cortada as rodelas
3 dentes de alho pisados
100g de arroz carolino
1 molho de espinafres
2 dl de azeite
150g de camarão descascado
150g de miolo de ameijoa

Preparação:
Começa-se por cozer o peixe com o azeite,a cebola e o alho.Retirando-o assim que estiver cozido. No caldo resultante,adicione o arroz,o camarão e o miolo das ameijoas.Limpe o peixe de pele e espinhas e junte ao arroz quando este acabar de cozer.

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Personalidades Alentejanas - PAPANÇA, António Macedo (Conde de Monsaraz)

(n. Reguengos a 20 Julho 1852; m. Lisboa a 17 Julho 1913)

Filho de Joaquim Romão Mendes Papança. Bacharel formado em direito pela Universidade de Coimbra, recebendo o diploma em 1876, e depois agraciado com o título de Conde de Monsaraz. Foi Par do Reino; sócio da Academia Real das Ciências de Lisboa, do Instituto de Coimbra e de outras corporações literárias. Colaborou com poesias em diversas publicações periódicas.

De entre as várias obras poéticas, destacam-se Crepusculares (Coimbra, 1876); Catharina de Athayde (1880); Telas históricas (1882).





In Dicionário Bibliográfico Português. Estudos de Innocencio Francisco da Silva applicaveis a Portugal e ao Brasil. Continuados e ampliados por P. V. Brito Aranha. Revistos por Gomes de Brito e Álvaro Neves [CD-ROM]. Lisboa, Imprensa Nacional, 1858-1923. Vol. XX, p. 249.

sábado, 21 de setembro de 2013

Coro e órgão da Igreja de N. Sª Consolação


Coro e órgão da Igreja do Convento de Nossa Senhora da Consolação, em Estremoz. Esta imagem foi publicada no Inventário Artístico de Portugal, de Túlio Espanca (Inventário Artístico de Portugal, Distrito de Évora - Zona Norte, vol.II, Lisboa, Academia Nacional de Belas Artes, 1975, est. 206).


Autor David Freitas
Data Fotografia 1975 ant. -
Legenda Coro e órgão da Igreja de N. Sª Consolação
Cota DFT4545 - Propriedade Arquivo Fotográfico CME