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terça-feira, 17 de setembro de 2013

A Lenda da Costureirinha

Entre as crenças que algum dia existiram no Baixo Alentejo, a da costureirinha era uma das mais conhecidas. Não é difícil, ainda hoje, encontrar pessoas de alguma idade, e não tanta como isso... que ouviram a costureirinha. 
O que se ouvia, então? Segundo diversos testemunhos, ouvia-se distintamente o som de uma máquina de costura, das antigas, de pedal, assim como o cortar de uma linha e até mesmo, segundo alguns relatos, o som de uma tesoura a ser pousada. Um trabalho de costura, portanto. 
O som trepidante da máquina podia provir de qualquer parte da casa: cozinha, quarto de dormir, a casa de fora, e até mesmo de alpendres. De tal modo era familiar a sua presença nos lares alentejanos que não infundia medo. Era a costureirinha. 
Mas quem era ela? Afirma a tradição que se tratava de uma costureira que, em vida, costumava trabalhar ao domingo, não respeitando, portanto, o dia sagrado. É esta a versão mais conhecida no Alentejo. Outra versão afirma que a costureirinha não cumprira uma promessa feita a S. Francisco. Esta última versão aparece referenciada num exemplar do Diário de Notícias do ano 1914 em notícia oriunda de aldeias do Ribatejo. Pelo não cumprimento dos seus deveres religiosos, a costureirinha fora condenada, após a morte, a errar pelo mundo dos vivos durante algum tempo, para se redimir. 
No fundo, a costureirinha é uma alma penada que expia os seus pecados, de acordo com a crença que os pecados do mundo, o desrespeito pelas coisas sagradas e, nomeadamente, o não cumprimento de promessas feitas a Deus ou aos Santos podiam levar à errância, depois da morte.
Já não se houve, agora, a costureirinha? Terminou já o seu fado, expiou o castigo e descansa em paz? A urbanização moderna, a luz eléctrica, os serões da TV, afastaram-na do nosso convívio. Desapareceu, naturalmente, com a transformação de uma sociedade rural arcaica, que tinha os seus medo, os seus mitos, as suas crenças e o seu modo de ser e de estar na vida.

domingo, 15 de setembro de 2013

Gastronomia Tradicional Alentejana - Entrecosto no Forno com Pimentos

Ingredientes:
2 kg de entrecosto
1 cabeça de alhos
1 pimento vermelho
1 pimento verde
1 colher de sopa de massa de pimentão
2 folhas de louro
sal q.b.
piripiri q.b.
pimenta preta moída na altura q.b.
1,5 dl de azeite
1 dl de vinagre


Preparação:
Ponha o entrecosto numa assadeira de barro e junte-lhe os pimentos cortados em tiras, a cabeça de alho inteira, o piripiri, o louro e o pimentão.
Deixe a tomar gosto de um dia para o outro.
No dia, tempere com um pouco de sal e pimenta.
Core-o em lume brando no azeite e acrescente o tempero do dia anterior.
Transfira novamente para a assadeira e leve ao forno a (200ºC) cerca de 40 minutos, regando com o vinagre.
Sirva com batatas salteadas e esparregado.

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Rua de Monsaraz


Rua de Monsaraz, com torre do Castelo ao fundo.

Autor David Freitas
Data Fotografia 1950 - 1970
Legenda Rua de Monsaraz
Cota DFT1024 - Propriedade Arquivo Fotográfico CME

Personalidades Alentejanas - Garcia d'ORTA

(n. Castelo de Vide em 1501; m. Goa em 1568)

Os pais eram judeus (Fernando (Isaac) da Orta e de Leonor Gomes) e foram expulsos de Espanha em 1492. Estudou nas Universidades de Salamanca e Alcalá de Henares, diplomando-se em Artes, Filosofia natural e Medicina, por volta de 1523. Regressou a Castelo de Vide, onde exerceu medicina. Em 1525 instalou-se em Lisboa, e tornou-se médico de D. João III. Foi neste ambiente que conheceu o matemático Pedro Nunes. Em 1530 tornou-se professor da cadeira de Filosofia Natural nos Estudos Gerais em Lisboa.

Partiu para a Índia Portuguesa em 1534 como médico pessoal de Martim Afonso de Sousa, que foi para o Oriente como capitão-mor do mar da Índia entre 1534 e 1538 e governador de 1542 a 1545. Depois de acompanhar o seu patrono durante os quatro anos em que este granjeou grande prestígio em várias campanhas militares na Índia, Orta estabeleceu-se como médico em Goa, onde adquiriu grande reputação. Aí travou amizade com Luis de Camões. Graças ao seu serviço e amizade com o Vice-Rei, foi lhe doado o foro da cidade de Bombaim.

Em 1543 casou com uma rica herdeira: Brianda de Solis. Porém, desentenderam-se pouco tempo depois. Foi médico de vários governadores e do Sultão de Ahmadnagar, exercendo igualmente o comércio e outras actividades lucrativas. Apesar de nunca ter visitado a região do Golfo Pérsico ou de ter viajado para oriente de Ceilão, Orta contactou em Goa com comerciantes e viajantes de todas as nacionalidades e religiões.

Apesar de em vida, Garcia de Orta nunca ter tido directamente problemas com a Inquisição, logo após a morte esta iniciou uma feroz perseguição à sua família. A sua irmã, Catarina, foi condenada por Judaismo e queimada viva num Auto-de-Fé em Goa, em 1568. Esta perseguição culminou em 1580 com a exumação da Sé de Goa dos restos mortais do próprio médico e a sua condenação à fogueira por judaísmo.

Contrariamente à atitude dominante entre os médicos portugueses dos séculos XVI a XVIII, que consideravam o estudo da medicina como um tema menor, dirigindo os seus dotes literários para as observações clínicas, Garcia de Orta interessou-se prioritariamente pelo estudo das propriedades das drogas e medicamentos. O que perpetuou o seu nome foi o livro Colóquio dos simples e drogas e coisas medicinais da Índia (Goa, 1563). Para além do seu valor científico, esta obra inclui a primeira poesia impressa da autoria de Luís de Camões. Escrito em português, e não em latim como era então a regra na literatura, o livro de Garcia de Orta só se tornou conhecido na Europa através da versão latina editada pelo médico e botânico Charles de l'Escluse ou Clusius (1525-1609), nome latino pelo qual é mais conhecido. Este publicou em 1567 a edição latina resumida e anotada intitulada Aromatum et Simplicium aliquot medicamentorum apud Indios nascentium historia. Além desta versão, os Colóquios circularam ainda em castelhano através do livro Tractado de las drogas y medicinas de las Indias Orientales (1578) do médico português Cristóvão da Costa (ca. 1525-1593).





Wikipédia, a enciclopédia livre. Garcia de Orta. [Online] URL: http://pt.wikipedia.org/wiki/Garcia_da_Orta. Acedido a 31 de Outubro de 2007.

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Sala Capitular do Cv. S. Francisco


Aspecto parcial da Sala Capitular do Convento de São Francisco, em Montemor-o-Novo. Esta imagem foi publicada no Inventário Artístico de Portugal, de Túlio Espanca (Espanca, Túlio, Inventário Artístico de Portugal, Volume VIII, Distrito de Évora - Zona Norte, Lisboa, Academia Nacional de Belas Artes, 1975, est.56).

Autor David Freitas
Data Fotografia 1975 ant. -
Legenda Sala Capitular do Cv. S. Francisco
Cota DFT522 - Propriedade Arquivo Fotográfico da CME

sábado, 7 de setembro de 2013

O Cinto do Lobisomem

Numa terra do concelho de Beja, havia um lobisomem, que se transformava sempre numa encruzilhada, ou seja (um cruzamento de quatro ruas ou travessas). 
Numa noite, já a altas horas, numa dessas encruzilhadas, o lobisomem transformou-se num chibo. Quando isto se passou, um outro homem ali passou e encontrou o chibo.
Quando o viu, disse logo para com ele: 
-  Vou levá-lo para casa. 
Tirou o cinto das calças e colocou nas pernas do chibo para o poder levar ás costas.
Quando ia no caminho com o chibo, ás costas cada vez lhe pesavam mais. Não aguentado o peso, tirou-o das costas para ver o que se passava. O chibo, muito rapidamente, pregou-lhe valentes coises e fugiu. 
No outro dia, no trabalho, passou por ele um rapaz da aldeia que tinha fama de ser lobisomem. E não era que o rapaz trazia á volta da cintura, o cinto que tinha servido para amarrar o chibo na noite anterior. Era preciso mais para se identificar o lobisomem?

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Gastronomia Tradicional Alentejana - Lombinhos de Porco Preto com Migas

Ingredientes:
800 gr. Lombinhos de Porco Preto
4 Dente de Alho
2 Folha de Louro
2 dl. Vinho Branco
40 gr. Linguiça de Porco Preto
Azeite
Massa de Pimentão

Preparação:
Cortar os lombinhos em medalhões e espalma-las ligeiramente; Temperar com alho, massa de pimentão, louro e vinho branco, e deixar a repousar 2 horas antes da confecção. Fritar no azeite a carne e a linguiça, no final reserva-se a gordura proveniente desta fritura, para as respectivas migas de espargos.

domingo, 1 de setembro de 2013

Anta da Herdade da Candeeira


Autor Desconhecido/ não identificado 
Data Fotografia 1900 - 1960 
Legenda Anta da Herdade da Candeeira 
Cota CME0262 - Propriedade Arquivo Fotográfico CME

terça-feira, 27 de agosto de 2013

O lobisomem (Beja)

Segundo a tradição, colhida em vários relatos, a acção de queimar as roupas do lobisomem, que este despia quando ia fazer as suas correrias durante a noite, parecia ser o meio mais comum de livrar uma pessoa do seu triste destino. 
Esta acção pruficadora / salvadora tinha porém, os seus riscos, pois desencadeava poderosas forças maléficas, tornando o lobisomem violento. 
Enquanto as roupas ardem, é vulgar ouvirem-se gritos e violentas pancadas são aplicadas nas portas das casas onde se faz a fogueira. É o momento purificador para o lobisomem e o de maior tensão para o salvador. 
Com o fim do fogo, terminado o feitiço, o homem salvo aparece tranquilo, nú e inocente. Ficou Livre. 
Este Mito passou-se em Beja há muitos anos. Um rapaz, que era lobisomem, saía de casa por volta da meia noite, para se ir encontrar com outros lobisomens e com bruxas numa encruzilhada. 
Daí saíram juntos e iam para o campo onde se despiam e dançavam em roda. Numa noite, quando ele se transformava, uma pessoa da sua família viu-o e apoderou-se das roupas para as queimar. 
Se o conseguisse fazer, poderia acabar coma sina do lobisomem ao seu familiar. O desvio da roupa foi feito com cuidado pois, se o lobisomem o tivesse presenciado, poderia correr atrás da pessoa e matá-la. 
O familiar do lobisomem levou as roupas para um casão, para aí as queimar, tendo tido o cuidado de fechar bem o portão do casão, onde fez uma fogueira. 
Logo que começou a queimar as roupas, começaram a ouvir-se grande sgrunhidos e fortes pancadas no portão. Embora com medo, pois as pancadas no portão eram cada vez mais fortes, o familiar do lobisomem continuou a queimar as roupas. 
Com receio, ficou no casão até de manhã. Ao amanhecer, abriu o portão. Lá estava o rapaz estendido, nú, como uma pessoa inocente. O fadário de lobisomem estava quebrado.

domingo, 25 de agosto de 2013

Gastronomia Tradicional Alentejana - Cabidela Alentejana


Ingredientes
1 galinha
1 colher (sopa) de vinagre
1 cebola
1 ramo de salsa
100 gr de banha
1 dente de alho
1 folha de louro
Sal
Pimenta
Água


Confecção
Mexe-se o sangue da galinha com o vinagre. Com a banha, a cebola, a salsa, o dente de alho já picado, o louro, o sal e a pimenta faz-se um refogado. Quando a cebola estiver mole, junta-se a galinha aos bocados, deixando-a alourar. Cobre-se com água quente. Cozer com o tacho bem tapado. Assim que estiver pronta, mistura-se o sangue, levanta fervura e serve-se logo num prato coberto com arroz de manteiga.

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Personalidades Alentejanas - LARANJO COELHO, Possidónio Mateus

(n. Castelo de Vide a 16 Novembro 1877)

Professor publicista, erudito conservador do Arquivo Nacional da Torre do Tombo, notável paleógrafo e diplomatista. Fez o seu curso de preparatórios em Coimbra, matriculou-se na Faculdade de Direito da Universidade em 1884, terminando a sua formatura a 18 de Julho de 1899. Em Agosto seguinte foi nomeado auditor administrativo de Portalegre, desempenhando ali as funções de secretário-geral e governador civil do distrito. Foi depois para Lisboa e, após a criação do antigo liceu da Lapa (actual Pedro Nunes), regeu, durante alguns anos, as disciplinas da secção de letras e igualmente no liceu de Coimbra.

Por decreto de 21 de Junho de 1908, foi nomeado 2.º conservador do Arquivo Nacional da Torre do Tombo, sendo provido a 1.º conservador por decreto de 22 de Agosto de 1923. A 21 de Abril de 1920 foi nomeado paleógrafo da Academia das Ciências de Lisboa, substituindo por falecimento o general e académico Jacinto Inácio de Brito Rebelo, na publicação académica Monumentos Inéditos para a História das Conquistas Portuguesas, tendo sido eleito sócio correspondente da classe de Letras da mesma Academia a 27 de Março de 1924. Por decreto de 1 de Março de 1923 foi nomeado professor da cadeira de Diplomática do curso de Biblioteconomia e Arquivística da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, e em 1930 foi nomeado para dirigir os trabalhos práticos de investigações históricas dos alunos da secção de ciências históricas e filosóficas da mesma Faculdade. Criado em 1931 o Curso Superior de Bibliotecário Arquivista, foi nomeado professor da cadeira de Diplomática e Estragística desse curso. Fez parte da comissão permanente de catalogação de manuscritos e impressos raros.

Fundada a Academia Portuguesa da História (1936), foi nomeado seu sócio titular fundador e depois académico de número, membro do Conselho Académico e vogal da Comissão Instaladora. Em1946 torunou-se secretário geral desta Academia. Associou-se também em outras agremiações científicas: Associação dos Arqueólogos Portugueses (também seu antigo presidente), Instituto de Coimbra, Sociedade de Geografia de Lisboa, Instituto Histórico do Minho e Sociétè Française de Héraldique et de Sigillographie. Tomou parte em vários congressos de Associação Luso-Espanhola para o Progresso das Ciências.

Publicou O Castelo e a fortaleza de Marvão (Lisboa, 1916); Mouzinho da Silveira (Lisboa, 1918); Os cardadores de Castelo de Vide. Subsídios para a etnografia (indústrias) do distrito de Portalegre (Porto, 1921); Asilo de Cegos de Castelo de Vide (Lisboa, 1924); A Pederneira. Apontamentos para a história dos seus mareantes, pescadores, calafates e das suas construções navais nos séculos XV e XVII (Lisboa, 1924); Terras de Odiana. Subsídios para a sua história documentada. I - Medobriga-Aramenha-Marvão (Coimbra, 1924); Inéditos de Mouzinho da Silveira (Coimbra, 1925); As ordens de cavalarias no Alto Alentejo. I - Comendas da Ordem de Cristo, documentos para a sua história (Lisboa, 1926); A Biblioteca de Castelo de Vide (Coimbra, 1927); Os Portugueses na obra do Conde Henry de Castries (Coimbra, 1928); A correspondência de Possidónio da Silva (Lisboa, 1930); «Fernão Lopes Castanheda. Os livros desaparecidos da sua História do Descobrimento da Índia pelos Portugueses», in História da Literatura Portuguesa Ilustrada, vol. III (Lisboa, 1932); História do Descobrimento e Conquista da índia pelos Portugueses por Fernão Lopes de Castanheda, livros VII, VIII e IX, nova edição conforme a edição princeps (Imprensa da Universidade de Coimbra, 1933); Cartas do Dr. Augusto Mendes de Castro para o arqueólogo Possidónio da Silva (Figueira da Foz, 1935); As monografias locais na literatura histórica portuguesa, lições proferidas no Instituto de Altos Estudos da Academia de Ciências (Lisboa, 1935); Cartas de El-Rei D. João IV ao Conde da Vidigueira (Marquês de Nisa), Embaixador em França, vol. I; Cartas dos Governadores da Província do Alentejo a El-Rei D. João IV, vol. I; Cartas dos Governadores da Província do Alentejo a El-Rei D. João IV e a E.-Rei D. Afonso VI, vol. II; Cartas dos Governadores do Alentejo a El-rei D. Afonso VI, vol. III; Cartas de El-Rei D. João IV para diversas Autoridades do Reino, vol. V ( Academia das Ciências de Lisboa, 1940); Documentos inéditos de Marrocos - Chancelaria de D. João II, publicação dirigida por este académico em execução do plano elaborado pelo professor doutor David Lopes; idem, de colaboração com o professor da Universidade de Londres, Edgar Prestage; Correspondência Diplomática de Francisco de Sousa Coutinho - Durante a sua Embaixada na Holanda, vol. III.

Colaborou em várias revistas científicas e literárias, como o Boletim da Classe de Letras da Academia das Ciências de Lisboa, o Instituto de Coimbra, a Revista Lusitana, o Arqueólogo Português e a Arqueologia e História. Foi também colaborador da Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira.





In Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira. Lisboa; Rio de Janeiro: Editorial Enciclopédia Lda., [195-]. Vol. XIV, pp. 699-700.

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Paço Ducal de Vila Viçosa


Autor David Freitas
Data Fotografia 1950 -
Legenda Paço Ducal de Vila Viçosa
Cota DFT7553 - Propriedade Arquivo Fotográfico CME